quarta-feira, 22 de janeiro de 2014


Ela só queria um pouco mais da vida.

Quem escreveria uma carta de suicídio se a possibilidade de se matar fosse pequena? Eu? Ora, talvez não. Talvez eu não seja a primeira nem a última a escrever esse tipo de carta e guardar no fundo da gaveta. Com a esperança que ninguém descubra. E com medo que alguém veja e pergunte: Mas por quê? Ela sempre foi uma menina que teve tudo.
De onde eu estivesse, eu responderia: Não, eu nunca tive tudo. Eu juro que eu trocaria um prato de comida por umas migalhas a mais de amor. Trocaria também, logicamente, meu guarda-roupas por um abraço de abrigo. E os meus calçados, meus pares de chinelos velhos, por um par de pernas a me guiar. Ah, se eu pudesse trocar todo esse excesso de proteção por um pouco de liberdade. Ah, essa tal liberdade! Deveria ter bebido mais. Aproveitado mais, curtido mais. Ter saído com os amigos desrespeitando o horário de chegar em casa. Deveria ter usado drogas. Só pra relaxar… Ultrapassado os limites da velocidade. Os limites da vida! Quem disse que regras foram feitas para serem cumpridas? E dormir.. Dormir pra quê? Casas, janelas, telhados.. Por quê? Pra perder a visão do céu, das estrelas? Uma vida terminada aos 15 anos, nem foi quase uma vida.. Eu queria muito mais que aquilo. Aquele não era o meu lugar. E talvez nem esse seja. Talvez eu nunca ache.

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